11 de março de 2011: terremoto, tsunami e Fukushima

Fukushima, março de 2011

O Japão tem números na geografia que parecem estranhos: tem uma área total um pouco maior que o Mato Grosso do Sul, e um litoral… quatro vezes maior que o Brasil! A explicação também vem da geografia: os mais de 120 milhões de habitantes estão distribuídos em mais de 6 mil ilhas, muitas isoladas.

Apesar da superfície não ser grande, o “Império do Sol Nascente” (é o sentido dos ideogramas que formam o nome do país, にっぽん, literalmente “origem do sol”) é conhecido por seus acidentes geológicos. A terra debaixo das ilhas não fica quieta, regularmente há fricção entre placas continentais, chamadas placas tectónicas.

Na prática, os tremores do chão em algum lugar do Japão são diários. A maioria não são sentidos porque acontecem em grande profundidade. E também porque os japoneses são acostumados a ver louça ranger, lustre balançar e edifício mexer. É que os arquitetas sabem das condições instáveis, e até os arranha-céus são construídos com sistemas de juntas que podem absorver os impactos dos terremotos.

De vez em quando, a intensidade do acidente é maior, e a destruição atinge grande proporções. Incluindo vidas humanas. No século, foram dois grande sismos: o de Kantō em 1923 que matou mais de 140 mil pessoas, e o de Kobe, em 1995, que atingiu uma das grandes cidades do Japão, matando quase 7 mil habitantes da região.

Já no início do século XXI, a terra de novo tremeu muito fortemente. Só que não exatamente debaixo da ilha. Foi no mar, causando um outro fenómeno destrutor: um maremoto, chamado em japonês de tsunami, 津波, literalmente “onda de porto”. Em 11 de março de 2011, na área dos dois eventos, havia um componente ainda mais ameaçadora: a presença da usina nuclear de Fukushima.

Dez anos depois, os Cabeças da Notícia lembraram essas horas onde o mundo tremeu das eventuais consequências do segundo maior acidente nuclear da história, após Chernobyl >