12 de março de 1930: uma marcha de 400 km revela Ghandi

Marcha do Sal, Índia 1930

A Índia não foi exatamente colonizada pelos ingleses. O domínio de Sua Majestade veio aos poucos, como imperceptível e portadora de modernidade, e terminou com uma opressão que podia ter virado sangrenta guerra. Se não fosse um homem magrinho, de pequenos óculos redondos, para o qual duas das maiores qualidades eram a paciência e a perseverança.

Os primeiros ocidentais a tocar pelos menos os portos foram os português, em particular o famoso Vasco da Gama em Calecute em 1498. Mas não tinha como simplesmente tomar posse: havia muita gente, e já bastante organizado. E ainda no século XVII, veio do morte o Império Mongol, que no seu auge chegou a dominar um terço do mundo conhecido.

Os ingleses chegaram discretamente, aos poucos, pelos portos e pelo comércio. Um a um, os domínios portugueses e até mesmo locais caíram nas mãos não exatamente da coroa britânica mas sim da poderoso Companhia Britânica das Índias Orientais, o braço comercial – e militar – do Império.

As negociações e, quando necessários, as demonstrações de força acabaram, no século XIX, por tornar a Índia um domínio de Sua Majestade. E os ingleses se instalaram completamente, trazendo escolas e universidades, estradas para carros e trens, e todo tipo de produto que tinham uma só condição obrigatória: serem made in UK.

Como sempre em decisões sistemáticas, os indianos chegavam ao absurdo de não poder usar os produtos da própria terra. Precisavam comprar (caro) dos ingleses o sal… indiano! O ano era 1930, e os britânicos, certos de seu poderio militar, não temiam qualquer reação da população. Além do mais porque as elites locais estavam associadas aos negócios lucrativos.

Tranquilo atrás de seus milhares de soldados e de uma sólida legislação, o Império aplicou as penas previstas para quem ousava afrontar a leis comerciais: a prisão. Que seja por algumas horas ou anos, o encarceramento funcionava de forma quase automática, destinado a desencorajar os mais rebeldes. E se houver alguns mais esquentados, que tomem repressão mais musculosa.

Neste contexto, em 12 de março, Mohandas Karamchand Gandhi, um advogado, líder do Congresso Nacional Indiano, parti político que demandava a autogestão do país, começa uma marcha de 400 km que vai virar um quebra-cabeça para o Império. O “Mahatma”, titulo honorífico que ganhou nos anos 1910 na África do Sul, onde começou sua militância, não está querendo briga. Também, aos 61 anos, magrinho, com visão deficiente e gestos lentos, não havia chance nenhum contra os aguerridos militares britânicos…

A Marcha do Sal, o acontecimento que desencadeou um processo que terminará 17 anos depois pela independência da Índia, foi lembrada nos Cabeças da Notícia de 12 de março de 2021, confira >