16 de março de 1644: os “Perfeitos” são queimados pela igreja

Os cátaros

Quase desde sua criação, a Igreja católica sempre esteve sujeita a dissidências, a outras interpretações das mesmas escrituras, à rebeldias contra suas hierarquias. A própria doutrina, em evolução desde o século IV, data presumida da escritura mais definitiva da Bíblia, não agradou a todos.

A partir da cristianização do Império Romano, a Igreja começou a andar do lado dos Poderes. E ao longo dos séculos, andou tão perto que às vezes se confundiu com eles. Para os mais “puros”, se corrompeu. Regularmente, grupos de todos os tamanhos se formaram para “voltar à essência” dos textos sagrados.

Quando pequenas, as divergências se resolviam com o tempo. Quando maiores e mais douradoras, a hierarquia de Roma não hesitava em sacar o adjetivo que os condenava: heréticos. A palavra latina significava uma simples opção, ou a alternativa. Mas sua aparição nas bulas papais desencadeava punições e castigos que raramente remetiam a eventual misericórdia.

Os ortodoxos do oriente, os protestantes, os anglicanos hoje não vivem mais perseguidos por qualquer inquisição apostólica romana. Já foram. Mas a próprio Inquisição deixou oficialmente de existir há (somente!) dois séculos. Mas se estas “heresias” sobreviveram, outras pagaram o preço mais alto por divergir da dogma então em vigor.

Em 16 de março de 1244, no sul da França, um cerco a um castelo no pico de uma montanha termina numa pira coletivo onde cerca de 200 “Perfeitos”, sacerdotes das cátaros, vão terminar uma tentativa iniciado um século antes. Como outros depois, eles já tinham sérias reservas sobre muitos dos ritos católicos: o batismo, a eucaristia, até o casamento não faziam parte da cartilhas deles.

Apesar de terem sido extintos há quase oito séculos, os Cabeças da Notícia lembraram um pouco da história do catarismo no Gabinete de Curiosidades de 16 de março de 2021, a seguir…