23 de fevereiro de 1997: uma ovelha abre perspectivas para o mundo

ovelha Dolly e seu criador

Parecia até filme de ficção, mas não era. Em 23 de fevereiro de 1997, dois pesquisadores de um laboratório escocês apresentam a ovelha Dolly, o primeiro ser viável clonado. Ian Wilmut e Keith Campbell contam que usaram como doadora uma ovelha de seis anos, Geniees, e as células de sua glândula mamária, daí o nome Dolly, em homenagem à cantora estadunidense Dolly Parton, artista bem dotada.

Essas células foram misturadas a óvulo de outra ovelha, e acabaram formando 277 ovos, que deram à luz cerca de 30 embriões. Somente um vai se desenvolver até a idade adulta: é Dolly. E vai ser sucesso mundial. Não exatamente pelo pioneirismo, porque rãs já tinham sido clonadas antes. Mas a carinha simpática da ovelha branca não se compara com a de um anfíbio.

A sua chegada deixou aberta uma autoestrada no campo da genética. E ao longo dos anos 2000, passaram por ela ratos, gatos, vacas, cavalos… Mas, pelo menos ao que se sabe, ser humano ainda não. Ou pelo menos não por completo. O aprendizagem dolliano em manipulação genética está sim presente em nossas vidas, com a utilização de células que hoje são chamadas “tronco”.

Qualquer que seja sua origem, a célula-tronco é um tipo de bombril genético: você pode criar qualquer tipo de célula com ela. A expectativa nos próximos anos é poder criar “peças de reposição” para o homem. Cada um de nós poderia ter uma reserva de células quando precisar substituir algo em nosso corpo, incluindo órgão ou mesmo membro.

Dolly viveu um vida de estrela, é claro. Um pouco cansativa também, seus menores movimentos eram monitorados, controlados, estudados, discutidos… E morreu mais cedo que a média da espécie, aos 6 anos e meio, quando suas amiguinhas “normais” respiram em média 9 anos.

Durante algum tempo, uma luz amarelo se ascendeu: morreu mais jovem porque teria nascida mais velha? Sua célula de origem teria guardado traço da idade da ovelha original? Os últimos trabalhos de Keith Cambell, que faleceu acidentalmente em 2012, mostraram que não: ele tinha em seu laboratório pessoal vários clones… da Dolly, em excelente condição física.

Já para seu colega Ian Wilmut, a vida lhe lembrou que o ser humano ainda não terminou sua jornada no combate contra doenças. Ele que se interessou desde os anos 90 na genética pensando em seu pai, atingido da doença de Parkinson, comunicou em 2018 também ser acometido por ela.

Confira a crônica nos Cabeças da Notícia de 23 de fevereiro de 2021 >