26 de fevereiro de 1616: Galileu e a heresia do heliocentrismo

Já havia alguns anos que a igreja católica estava de olho no cientista Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei, mais conhecido simplesmente por Galileu. A bem da verdade, na Europa do século XVII a hierarquia papal está de olho em muita gente. A Santa Inquisição não cansava, desde o Século XII, de eliminar os que julgava inimigos.

E a noção de inimigo podia ser bem ampla. Os denunciados e sobretudo as denunciadas, já que a tortura e o fogo em praça pública atingiram uma maioria de mulheres, podiam ser simples desafetos de vizinhos. Aí o círculo vicioso estava engatado: enquanto não confessava, era tortura. Após a confissão, a execução era certa.

No caso de Galileu, a disputa era teórica. Apesar da Bíblia nunca mencionar com todas as letras que a terra está no centro do universo (nem que ela seja plana, por sinal, as interpretações de Isaías 40:22 não passam de… interpretações), a hierarquia de Roma não queria ouvir falar do sol no centro de nosso mundo. E muito menos que estaríamos girando em torno dele.

Após alguns anos com o cerco se fechando no erudito de Pisa, o processo toma uma importância oficial e escrito. E em 26 de fevereiro de 1616, Galileu recebe por escrito a ordem de “abster-se completamente de ensinar ou defender essa doutrina e opinião ou de discutir (…) abandonar completamente (…) a opinião de que o Sol ainda está no centro do mundo e a Terra se move e, doravante, não manter, ensinar ou defendê-lo de qualquer maneira, seja oralmente, seja por escrito”.

E cumpriu. Pelo menos nos 16 anos seguintes, durante os quais faz outras grandes contribuições à ciência, a tal ponto que é considerado o pai da ciência moderna. Mas em 1632, com seu Diálogo Sobre os Dois Principais Sistemas Mundiais, o assunto volta à tona. E o processo também.

Condenado à prisão formal (até mesmo com ameaça de tortura), transformada em domiciliar até o fim de sua vida, Galileu ainda terá que esperar formalmente até 1992, quando o Papa João Paulo II reconheceu que os dignitários católicos da época erraram em não distinguir formalmente a letra da Bíblia e sua interpretação.

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