8 de março de 1910: Élisa Deroche, primeira mulher piloto

Élisa Deroche, primeira mulher piloto de avião

O primeiro voo de um avião na França não tinha completado 4 anos que as mulheres já estreavam aos comandos das engenhocas. No caso de Élisa, jovem atriz de vinte e poucos anos, o interesse tinha nascido exatamente no campo de Bagatelle, em Paris, neste dia 23 de outubro de 1906 que ia mudar para sempre a história da aviação.

Um brasileiro meio tímido mas determinado, com seu chapéu de largas abas, se lança sozinho (isto sim, Santos Dumont foi o primeiro a fazer) com seu “ave de rapina” e, numa altura entre 2 e 3 metros, voa por uns 60 metros. No meio da confraternização e dos abraços ao herói, os belos olhos azul profundo de Élisa registraram tudo, e a decisão foi tomada: eu também vou voar.

Pode parecer uma resolução doida para uma moça no início do século passado, e era mesmo. Mas Élisa já tinha uma “folha corrida”. Seu pai, fabricante de carteiras de couro, lhe havia dado um pônei quando era menina. Mas logo ela se interessou pelo bicicleta. E não tinha 19 anos que já andava de motocicleta!

Em 1902, Élisa Deroche faz aniversário de 20 anos. E ganha… a carteira de motorista!. À noite, nos palcos dos teatros parisienses, com uma carreira honesta mas sem atingir o estrelato. E de dia, pilotando pelas estradas de Paris e dos arredores, sempre procurando mais emoções.

Cada vez mais determinada a também ver a terra de mais alto, e sempre presente quando os pioneiros demostram suas novas habilidades em Bagatelle ou em outros terrenos, ele encontra em 1909 Gabriel Voisin, que, com seu irmão Charles, lançaram há pouco uma fábrica de aviões.

Gabriel é subjugado pela moça. E não só por sua coragem. É muito provável que tenha tido um envolvimento romântico, mas o resultado histórico é a encomenda de um exemplar de um biplano por e para Élisa. Em janeiro de 1910, ele é entregue. Serão algumas sessões de treinamento no solo antes de, durante a segunda semana de fevereiro, efetuar várias horas de voo, chegando a uma dezena de metros de altura e com manobras de estabilização e de mudanças de direção.

Não é exatamente a primeira vez que uma mulher pilota sozinha. Outra francesa, Thérèse Peltier, o fez em 1908, escondida e discretamente já que não tinha a autorização das autoridades. Para Élisa, todo o Aero Clube da França está presente e o resultado é um documento até então inédito para uma mulher: com o número 36, seu Brevê de Piloto.

Agora devidamente autorizada, ela não vai parar de buscar novos desafios, até estabelecer recordes mundiais de altitude nos anos seguintes. Élisa Deroche, também conhecida sob seu nome artístico Baronesa Raymonde de la Roche, foi a estrela do Gabinete de Curiosidades dos Cabeças da Notícia de 8 de março de 2021 >