23 de abril de 1989: não chores o vinho derramado, Bill

Casas, carros, joias, relógios, objetos de arte… É sem surpresa que, no seleto mundo dos…

William Sokolin e sua frágil garrafa

Casas, carros, joias, relógios, objetos de arte… É sem surpresa que, no seleto mundo dos riquíssimos os números voam para mostrar quem tem mais. Os dígitos nestes itens alcançam 8, 9, 10… Em itens de culinária e vinhos, a barra está obviamente um pouco abaixo.

Quem sã de espírito pagaria US$ 10 mil por um prato? Ou mesmo US$ 1 mil? Mas nos prazeres da mesa, tem também produtos para os Vips dos Vips: vinhos. A particularidade deste mercado é que… não se sabe o gosto do líquido. O preço das garrafas passam de U$ 10 mil, até mesmo US$ 100 mil pelo nome do produtor, e pelo ano da colheita.

Chateau Margaux já começa bem justamente pelo nome. É um bordeaux de reputação internacional. Um garrafa comum do precioso líquido passa dos US$ 1 mil. E bem pechinchado. Agora quando os anos começam a descer, pode ser um jackpot para o proprietário.

Falando do lobo, William Sokolin esbanja sorrisos e simpatia neste 23 de abril de 1989. Ele está num dos melhores lugares de Nova Iorque, o hotel Four Seasons, num desses almoços de degustação e venda de vinhos de exceção. Nada menos que 300 pares de olhos (cada um tendo pago US$ 250 para estar lá) fitam o negociante quando ele vai tagarelando sobre um garrafa chocante: um Chateau Margaux 1787!

E o fenômeno não para por aí. Na garrafa, há uma etiqueta com as inicias Th. J. E Bill que assegurar que ninguém menos que o 3º Presidente dos Estados Unidos, grande apreciador de Bordeaux, tinha a relíquia em sua adega. Murmúrios de admiração no salão. Que de repente fica mudo de emoção: Sokolin acaba de sacar a tal garrafa de seu estojo. Só que…